quarta-feira, 9 de março de 2011

Às avessas

Hoje fui ver o filme da Bruna Surfistinha. Já tinha lido o livro, achei interessante e acho válido ressaltar algumas coisas, como por exemplo que longe de mim julgá-la afinal cada um toma as decisões que achar mais válido pra sua vida, também aplaudo a falta de hipocrisia da Raquel/Bruna Surfistinha, ela assume seus atos e conseqüências sem tentar pagar de puritana só por conveniência.

No fim das contas em relação à história tanto do livro quanto do filme a única questão que posso dizer que discordo é sobre a família dela, me parece um pouco de ingratidão, por que mesmo que ela não tenha recebido tudo que ela sonhava, teve muito mais do que muita gente recebe e merece como ser humano, desde os fatores básicos como comida e um teto às oportunidades como estudar em boas escolas. Enfim, mas ninguém saberá como foi ou de onde surgiu , sem contar que sempre haverá a versão da Raquel/Bruna Surfistinha e outra dos pais adotivos.

Mas não dá pra colocá-la num pedestal como heroína e tomar sua história como exemplo na íntegra, pois dentro dessa grande trama que envolve determinação, força de vontade e superação, há também a questão dos valores, não da mulher que se prostitui, afinal é uma profissão que pra mim é digna, veja Amsterdã. Os valores estão em baixa quando se trata de outras superações, da evolução acadêmica, de quem ralou pra entrar na faculdade federal, da minha amiga que tenta medicina incansavelmente sem desistir do seu sonho ou se render as facilidades de faculdade particulares que jamais lhe dariam a formação que merece. Dos professores que possuem pós doutorado e fazem o país crescer. Todos têm o seu brilho, assim como a Bruna teve na sua carreira, não tiro o mérito dela, de forma alguma, só não se pode deixar valorizar umas coisas em detrimento de outras e romantizar histórias como essa, apelando para compaixão de quem assiste ou lê, até por quê, coitadinha sou eu que nasci, neste país, inteligente ao invés de "gostosa".