terça-feira, 9 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher

Pra mim, não há assunto mais coerente a ser tratado nesse dia do que a Dança do Ventre, principalmente por ser minha paixão e prática quase que sagrada, a dança do ventre tem um embasamento muito peculiar por diversos motivos, é uma dança milenar capaz de unir tradicionalismo e inovação. Não estou fazendo propagando só porque pratico, mas justamente por isso sei quanto é interessante e como há o que falar.


O termo "Dança do Ventre" vem da tradução de "Bellydance" nome dado a dança em inglês. No oriente é chamada de Raqs Sharqui que significa Dança do Leste / Oriente. Sua origem é muito controversa, não há dados concisos quanto data e local de origem, até então há registros sobre a dança em uma margem de 7000 anos atrás. Sua prática era considerada sagrada, realizada em cultos primitivos à Deusa Ísis (Deusa Mãe) em agradecimento à fertilidade feminina e as cheias do Nilo. A Dança do Ventre passou pelo Antigo Egito, Babilônia, Suméria, Índia, Pérsia e Grécia primitivamente. Com a expansão dos povos árabes e as invasões sofridas por eles a dança foi disseminada e hoje é uma prática mundial. Sofreu várias influências ao longo de todos esses séculos sem se perder.


Por ser relacionada diretamente a fertilidade feminina homens NÃO praticam dança do ventre. Bom, essa é a primeira coisa que quero esclarecer.Quando eu falo sobre bailarinos como Mahmoud Reda ou Márcio Mansur, estou falando de bailarinos de dança árabe FOLCLÓRICA. No caso do Mahmoud Reda, ele é bailarino clássico, coreógrafo do Reda Troup ( corpo de baile com bailarinas de dança do ventre também), por ser egípcio ele tem grande conhecimento de toda a cultura de seu povo, e conhecedor dos passos de dança monta sequências que são referencia mundial, mas ele não pratica dança do ventre. Pra facilitar e resumir, pense nele como um pesquisador e teórico no assunto. Atualmente há homens que praticam dança do ventre, é um assunto delicado, por um motivo simples, vá há um dicionário de sinônimos e você verá que ventre está relacionado a útero, por melhor que seja a execução técnica de um "bailarino de dança do ventre", está incompleta pois lhe falta o que é principal na dança. Antes que a comunidade homossexual venha com foices e tochas atrás de mim deixo claro que não é uma questão de preconceito e sim pré requisito. Esse assunto é muito extenso e polêmico, por isso vamos ao próximo tópico.


Dança do ventre NÃO dá barriga, é um atividade física, queima calorias e faz muito bem a saúde.Mulheres que praticam dança do ventre usufruem de benefícios próprios da dança relacionados a saúde intima feminina, como redução de cólicas, regulação hormonal e até mesmo redução dos sintomas da TPM, isso por que a dança e seus movimentos está diretamente relacionado a anatomia feminina.Concluindo, nós, bailarinas, não precisamos ser gordas para dançar, a diferença é que por ser de origem oriental o nosso padrão estético não importa. O importante é sentir-se bem.


Como se pode notar eu sempre me refiro as praticantes de dança do ventre como bailarinas, explico o porquê. Primeiramente esqueça essa história de que bailarina é quem faz ballet, afinal se assim fosse não seria necessário a definição bailarina clássica para as praticantes desta modalidade. Não é. Depois de uma pesquisa e conversa com uma professora de português especializada no assunto elaborei uma explicação simples: Bailarina deriva do verbo BAILAR e não da palavra balé (assim escrito no dicionário). Basta olhar pro radical da palavra. Quando uma palavra deriva da outra, elas possuem o mesmo radical o que é o caso de BAILar e BAILarina, o que não ocorre com balé.


Mas, e por que não chamar de odalisca?! Pois esse termo é pejorativo. Odaliscas eram as mulheres do harém do sultão, eram treinadas, desempenhavam diversas funções, cada uma de acordo com a sua "especialização". Eram cultas, educadas e muito belas, fazendo uma comparação pra simplificar o entendimento, elas eram como gueixas [ quem assitiu "Memórias de uma gueixa" entende o que eu estou falando] a diferença que eram exclusivas do sultão e ficavam no harém. Eram consideradas artigos de luxo mas infelizmente com o tempo foram sendo banalizadas, principalmente após invasões em que os haréns invadidos eram saqueados e elas eram sequestradas e levadas pra outros países e lá prostituídas. Assim, chamar uma bailarina de dança do ventre de odalisca é pejorativo e dependendo até ofensivo. Eu particularmente costumo apenas explicar que o termo não é próprio quando me chamam assim, afinal as pessoas não são culpadas pelas merdas que a Globo diz.


Há muito mais o que falar, apenas sintetizei os assuntos mais frequentes e dei uma leve introdução histórica. Ficou gigante, eu sei.


Enjoy it ;D

2 comentários:

  1. Interessante... e sim, bailarino NÃO é quem faz ballet clássico, tem bailarino clássico, bailarino contemporâneo, bailarino de forró e o diabo A4 rsrs adorei esse post.

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  2. "Sem a mulher não há razão pro homem viver. É inevitável. A mulher é a companheira do homem. Indispensável. Ao ser-humano é a rainha dos homens, não é? Fantástica, não é?" - já dizia um Senhor Arquiteto...

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